No início de fevereiro, as 48 primeiras famílias, com renda até três salários mínimos, beneficiadas em Curitiba pelo programa Minha Casa Minha Vida, escolheram seus apartamentos no Residencial São Francisco, conjunto construído no bairro Sítio Cercado. Criado em março do ano passado, o programa federal está sendo implantado na cidade com a participação da Prefeitura e da Companhia e Habitação Popular de Curitiba (Cohab). De acordo com as normas do programa, até 50% das unidades deve ser destinada para reassentamento de pessoas que vivem em situação de risco social. O restante deve ser ocupado por inscritos na fila que atendam a pelo menos um dos seguintes critérios: foram desabrigadas de áreas de risco ou insalubres; são chefiadas por mulheres; enfrentam situação de precariedade habitacional; têm até três dependentes menores de 18 anos ou residem em imóveis alugados. Na presença de representantes da Caixa Econômica Federal e da Cohab Curitiba, a escolha dos apartamentos se deu por meio de sorteio. A primeira família sorteada teve o direito de escolher a unidade preferida entre as 48 distribuídas em três blocos de quatro pavimentos cada. E assim por diante, a ocupação dos apartamentos foi definida a cada nome sorteado. A primeira contemplada foi a dona de casa Graziele Vieira dos Santos Cavalheiro, 23 anos. Ela escolheu uma unidade no 1º andar do bloco 3. “Primeiro andar para as crianças não precisarem subir escadas e bloco três por ter menos barulho”, explica ela, que mora há cinco anos na ocupação irregular Vila Savana, no Guabirotuba, com o marido e duas filhas de 4 e 7 anos de idade. “Morar na vila é complicado, não tem esgoto, a luz é irregular e muitas vezes falta, tem perigo de pegar alguma doença. Aqui é bem melhor, é a realização de um sonho. Estou muito feliz”, afirmou. O casal Luiz Antônio e Inês Czubaty estava inscrito no cadastro da Cohab há cinco anos. Estavam morando de favor na casa de parentes no Boqueirão. “É muita confusão, são cinco famílias no mesmo terreno, não via a hora de ter o nosso próprio lar, por isto estamos tão alegres”, conta a dona de casa,de 44 anos. Luiz, que é pedreiro, diz que já havia pensado em alugar uma casa, mas desistiu porque o dinheiro gasto seria perdido. “Pagar aluguel é jogar dinheiro fora, mas agora não, vamos estar pagando por um imóvel nosso, que vou poder deixar para minha filha”, explica. Com o casal vai morar a filha Sara, 20 anos e a neta Maísa de apenas dois. Segundo a Cohab Curitiba, a construção do Residencial São Francisco recebeu investimentos de R$ 2,2 milhões. As unidades de dois quartos tem um custo de R$ 42.350. O financiamento às famílias será em 10 anos, com prestações que não podem exceder 10% da renda familiar. O Sítio Cercado, onde está o empreendimento, é uma região que possui boa infraestrutura de equipamentos públicos, pois vem recebendo bastante investimento nos últimos anos. “O bairro tem o Hospital do Bairro Novo, o Clube da Gente, que é um complexo de esportes aquáticos da Prefeitura, Armazém da Família, Restaurante Popular e equipamentos como escolas, unidades de saúde e creche”, pontua o presidente da Cohab Curitiba, João Elias de Oliveira.