Em 2009, 918 mil famílias americanas perderam suas casas, um recorde até então. Mas os números de 2010, divulgados pela RealtyTrac, site norte-americano especializado em mercado imobiliário, são ainda maiores: no ano passado, a crise de hipotecas continuou batendo recordes e fez com que mais de 1 milhão de famílias perdessem suas casas nos Estados Unidos. Segundo o site, contabilizar as execuções imobiliárias é o mesmo que “contar as cadeiras no deque do Titanic”. E mais: em 2011, os números continuarão crescendo. Segundo dados do site, em 2010 um total de 2,9 milhões de notificações foram mandadas para famílias norte-americanas, o que representa um crescimento de 2% se comparado aos números de 2009. Os números não foram maiores, acredita o site, porque no último trimestre de 2010 houve queda, em consequência de ações legais dos procuradores estaduais após denúncias de que os bancos não teriam examinado devidamente a documentação de cada caso antes de executar as hipotecas. “Muitos desses casos de retomada da propriedade que foram interrompidos no fim de 2010, que estimamos em 250 mil, provavelmente serão retomados e se somarão aos números do início de 2011”, acredita James J. Saccacio, diretor do RealyTrac. O governo de Barack Obama promoveu um programa para ajudar famílias em dificuldades com suas hipotecas, por meio de refinanciamento, mas os objetivos estão aquém do que se esperava: dos quatro milhões de proprietários que seriam beneficiados, segundo estimativas iniciais, apenas em torno de um milhão deverá aproveitar os benefícios do programa.