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2010, o melhor ano da história do crédito imobiliário

Segundo a Abecip, crédito imobiliário chegou a marca de R$ 56,2 bilhões, com financiamento de 421,3 mil unidades

“2010 foi o melhor ano da história do crédito imobiliário”. O presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), Luiz Antônio França, tem motivos de sobra para justificar essa declaração: ao longo do ano, o crédito imobiliário com recursos da caderneta de poupança cresceu 65%, alcançando a marca de R$ 56,2 bilhões. Trata-se de um recorde. E mais: o montante possibilitou o financiamento de 421,3 mil imóveis, o que significou um crescimento de 39,2% se comparado com 2009. França está otimista com 2011. Ainda que reconheça alguns sinais de desaceleração no ritmo de crescimento da economia em razão da elevação da taxa básica de juros, ele espera que o crédito para a realização do sonho da casa própria cresça nada menos do que 51% e chegue a R$ 85 bilhões. Com isso, diz, será possível financiar mais de meio milhão de unidades. “O grande vetor para manter o mercado imobiliário aquecido neste ano é a perspectiva favorável para o emprego e a renda, que dá sustentação para que a população, especialmente a de menor poder aquisitivo, assuma uma prestação de um imóvel compatível com o seu salário”, diz França. Segundo dados da Abecip, dos R$ 56,2 bilhões emprestados no ano passado, R$ 31,8 bilhões foram destinados para o consumidor e R$ 24,4 bilhões para financiar construtoras. O valor médio dos financiamentos para pessoas físicas aumentou de R$ 123 mil, em 2009, para R$ 145 mil, em 2010. França não concorda com o temor de que o mercado imobiliário nacional possa estar prestes a viver uma bolha. “O preço do imóvel hoje é justo para o momento. O aumento nos preços dos imóveis visto nos últimos anos não é artificial e tem sido acompanhado por um aumento da massa salarial. Não estamos vendo um deslocamento dos preços dos imóveis de outros ativos da sociedade. Nos últimos dez anos, o preço dos imóveis acompanhou a curva no INCC (Índice Nacional de Custo da Construção). Não há bolha”, garante. Sobre o problema de escassez de recursos que o setor poderá enfrentar nos próximos anos, França disse que a Abecip quer discutir com o governo novas formas de financiar o setor, como securitização, captação de longo prazo e os chamados covered bonds – títulos emitidos por bancos sobre a carteira de crédito, mas que contam com proteção para o investidor em caso de quebra da instituição financeira. “O saldo da poupança cresce 18% ao ano, enquanto a demanda cresce 51%. Então, uma hora você vai ter mais demanda que recursos. Estamos enxergando escassez de funding na caderneta de poupança”, disse França. De acordo com ele, uma das propostas é a permissão do governo para instituições financeiras emitirem títulos para captação de recursos específicos para o financiamento imobiliário.

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