O Governo ainda não anunciou quais medidas tomará para frear a expansão de crédito no país e, assim, evitar a alta do processo inflacionário. Mas o Ministério da Fazenda já anunciou que essas medidas serão restritas a alguns tipos de empréstimo. E foi claro, colocando a casa própria fora deste lista. O governo quer aumentar as exigências dos bancos para os financiamentos de longo prazo em setores onde a demanda esteja aquecida e pressionando a alta de preços, como no caso da compra de automóveis 0km. As concessionárias vendem veículos com prazos de até longos 99 meses e o Governo quer, por exemplo, que esse prazo não passe de 36 meses. O déficit habitacional e a importância social da compra da casa própria foram dois dos fatores que levaram o Governo a não pensar em restringir o crédito imobiliário. Por outro lado, a construção civil apresenta números cada vez mais favoráveis. O número de trabalhadores com carteira assinada no setor cresceu nada menos do que 400% em fevereiro, em relação ao mesmo mês de 2007: foram 27.574 postos formais criados, contra apenas 5.522 em fevereiro de 2007. Segundo dados do Ministério do Trabalho e do Emprego, a construção civil passa a contar com 1,6 milhão de trabalhadores em todo o país. “O setor da construção civil está crescendo muito no país e é sem dúvida o grande destaque na geração de empregos. Isso se deve muito por conta da atuação do governo para fomentar o setor. Aqui no Ministério temos realizado várias ações desde 2007 para que o resultado seja esse. Só no ano passado, por exemplo, o Conselho Curador do FGTS proporcionou mais acesso ao crédito para a compra da casa própria. Isso leva ao aumento da demanda por imóveis e, conseqüentemente, à necessidade de mão-de-obra para construí-los”, afirma o Ministro do Trabalho, Carlos Lupi. O Ministro ressaltou, ainda, que o orçamento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço para financiamentos em 2008 é recorde, alcançando R$ 17 bilhões.