O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou um pacote de medidas para o setor de habitação, que destinará US$ 275 bilhões para que nove milhões de famílias norte-americanas possam refinanciar seus contratos de financiamento da casa própria e, assim, o processo de retomada de imóveis pelo sistema bancário possa ser estancado. Desde o início da crise, mais de três milhões de famílias já perderam suas casas. Do total de recursos anunciados, US$ 200 bilhões serão utilizados para o governo comprar ações preferenciais das duas gigantes do setor hipotecário americano – a Fannie Mae e a Freddie Mac, que estão sob intervenção federal desde setembro do ano passado. Obama quer socorrer dois tipos de mutuários: cinco milhões de famílias estão em dia com suas prestações, mas não conseguem pagar os juros altos gerados pela crise e não podem refinanciar seus contratos porque hoje o valor de suas casas é muito menor do que o do financiamento e os bancos não aceitam os imóveis como garantia do novo empréstimo. Outras quatro milhões de famílias estão em situação ainda pior: simplesmente não conseguem pagar suas prestações. “Todos nós estamos pagando o preço da crise. E todos iremos pagar um preço ainda maior se permitirmos que ela cresça. Quem empresta terá de reduzir as taxas de juros e administrar mensalidades menores, a fim de evitar nova onda de despejos. Os mutuários terão que fazer pagamentos em dia, em troca da oportunidade de reduzir essas prestações”, disse Obama. Segundo ele, as medidas anunciadas ajudarão a destravar o crédito para a casa própria, aumentando o valor dos imóveis no mercado. Quanto a ampliação da estatização de Fannie Mae e Freddie Mac, os US$ 200 bilhões serão utilizados para garantir a continuidade dos financiamentos oferecidos por estas duas empresas, responsáveis por metade dos US$ 12 trilhões de empréstimos para a compra da casa própria nos Estados Unidos. O governo norte-americano anunciou que poderá comprar até US$ 400 bilhões em ações destas empresas. Mais duas ações foram anunciadas: está previsto a criação de um fundo de US$ 10 bilhões para proteger mutuários e o governo quer permitir que os juízes que cuidam de processos de falências pessoais possam modificar as condições de financiamento da casa própria para evitar novos despejos.