Até o final deste ano, os primeiros fundos de investimento imobiliário (FIIs) com lastro em certificados de recebíveis imobiliários (CRIs) deverão ser lançados no país. Especialistas acreditam que os fundos lastreados em CRIs irão atrair as atenções tanto de pessoas físicas quando de investidores institucionais. A criação das carteiras só será possível porque após nove meses de espera, no final de agosto, o governo federal passou a permitir a isenção de Imposto de Renda (IR) nessa categoria de produto financeiro. O mesmo incentivo também vale para as aplicações em crédito imobiliário (LCIs), letras hipotecárias (LHs) e cotas de outros fundos imobiliários. A instrução nº 472 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que entrou em vigor em novembro de 2008, permitiu a criação de fundos imobiliários lastreados em recebíveis de imóveis, mas havia dúvidas se os instrumentos poderiam ser tributados na fonte por essas aplicações serem consideradas de renda fixa. Ao comprar diretamente um CRI, a pessoa física é isenta de IR, mas, adquirindo um fundo imobiliário com lastro nesse papel, o imposto poderia incidir na fonte. O setor preferiu aguardar para lançar o produto após resolvida a questão. Segundo especialistas, o momento é ideal para o lançamento dos produtos, afinal, com a perspectiva de juros em patamares baixos, os investidores estão em busca de alternativas que garantam rentabilidade maior. Um CRI, por exemplo, pode ser lastreado em financiamentos imobiliários em que as taxas chegam a TR mais 11% ao ano, acima dos 8,75% da Selic.