Entre os investimentos preferidos do brasileiro está a compra de imóveis. E é justamente se aproveitando disso que fintechs estão buscando recursos de pessoas físicas para financiar construtoras, oferecendo, em troca, atrativos resultados. Trata-se dos chamados investimentos coletivos no setor imobiliário, um modelo ainda incomum, mas em processo de crescimento. A pioneira foi a Urbe.me, plataforma que detém o maior volume de captações, em um total que hoje chega a R$ 49 milhões, para 30 empreendimentos imobiliários. Mas há outras despontando no mercado, como a Expeer, a Glebba e a Cap.rate. Essas fintechs são reguladas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), quando faz “crowdfunding”, ou pelo Banco Central (BC), no caso de empréstimo entre pessoas, o “peer to peer”. “Ambos os tipos de plataforma conectam investidores em busca de diversificação de carteiras a incorporadoras que precisam de recursos para financiar seus projetos. As fintechs vieram para suprir uma demanda das construtoras: falta dinheiro no caixa para começar as obras. Para muitas empresas, estruturar títulos de dívidas como debêntures e Certificados de Recebíveis Imobiliários (Cris) custa caro e conseguir financiamento no banco é difícil no início das construções, quando os empreendimentos não foram vendidos. As plataformas se difundem diante da perspectiva de que o setor imobiliário vai entrar em um novo ciclo de crescimento. Apesar do desempenho frustrante da economia, os estoques das incorporadoras dão sinais de melhora e os lançamentos vêm sendo retomados, o que leva as empresas a buscar mais recursos. Do outro lado, em um ambiente de taxa básica de juros na mínima histórica, há demanda de pequenos investidores por aplicações de maior risco, que deem retornos melhores. Os investimentos coletivos no setor imobiliário são mais uma alternativa para quem gosta de investir em imóveis e está disposto a encarar o risco”, publicou o jornal Valor Econômico, sobre o assunto. “Queremos democratizar o investimento em imóveis e torná-lo acessível aos pequenos e médios investidores, que não têm grandes fortunas”, afirmou Danilo Ribeiro, sócio fundador da Expeer, em entrevista ao jornal. Com apenas R$ 1 mil, já é possível investir na construção de condomínios residenciais, empreendimentos comerciais ou até mesmo em bairros planejados. Segundo o Valor Econômico, “os retornos podem ser consideravelmente mais altos que a Selic, hoje em 5,5% ao ano. Os investidores da primeira rodada de crowdfunding imobiliário, liquidada no Brasil no mês passado pela Urbe.me, tiveram rendimento de 18,7% ao ano. Além do retorno atrativo, o investimento coletivo em imóveis permite ao pequeno investidor participar de um mercado que antes era mais restrito. No formato tradicional de investimento em incorporação imobiliária, o investimento mínimo é alto e o investidor precisa ter uma relação próxima com o incorporador”. Especialistas dizem que fintechs estão deixando o crowdfunding para operar no modelo peer to peer porque a CVM não permite um faturamento acima de R$ 10 milhões ao ano para as empresas que captam via crowdfunding, pois a Instrução 588 da CVM, que regulamenta o investimento não foi feita para gigantes do setor imobiliário, mas sim na captação de startups.
Publicado em 01/11/2019