“Eu sou um presidente que trabalha para ser demitido o mais rápido possível”. A frase foi dita pelo Presidente da Empresa Gestora de Ativos (Emgea), Vinicius Mazza. Segundo ele, a empresa irá vender seus ativos de forma fatiada, ao longo de 2020 e, depois, será extinta. A Emgea foi criada há 18 anos para administrar os “podres” da caixa e deve ser a primeira companhia a ser desestatizada pelo Governo de Jair Bolsonaro. Mazza disse que a companhia tem créditos com possibilidades de recebimento, entre os quais empréstimos habitacionais feitos por pessoas físicas nos anos 80 e 90 e que não foram quitados, além de créditos da Caixa contra Estados e prefeituras que financiaram obras e não pagaram. “Essas carteiras têm um preço no mercado. O mercado de crédito estressado tem muito interesse nisso, porque ainda tem valor a ser extraído, ainda mais porque tem garantias”, salientou ele. Segundo Mazza, a companhia tem ainda uma carteira com cerca de três mil imóveis retomados de mutuários inadimplentes. Responsável por quase 90% de seus ativos, o principal crédito da Emgea não será vendido: trata-se do que a empresa tem a receber da União, referente ao Fundo de Compensação das Variações Salariais (FCVS). Em setembro do ano passado, esses créditos estavam em R$ 13,1 bilhão, sendo que a carteira total da Emgea é de R$ 14,4 bilhões. Por conta do peso do FCVS em sua carteira total que a Emgea optará pela venda dos créditos, não da empresa. “Não fazia sentido a gente colocar à venda uma empresa que carrega R$ 13 bilhões desses ativos, pelos quais o mercado vai pagar 10% do valor e depois cobrar tudo da União. Isso daria prejuízo à União”, determina Mazza.
Publicado em 02/01/2020