Estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), encomendado pelo Sinduscon-SP, demonstra que o déficit de moradias no Brasil foi reduzido em 2008, apesar de muito elevado o número de sub-habitações, favelas e cortiços, principalmente nas grandes regiões metropolitanas. O déficit habitacional brasileiro é de 5,572 milhões de moradias, aponta o estudo, contra um déficit de 5,760 milhões, em 2007. Segundo os técnicos da FGV, a perspectiva é de que esse número continue a cair em 2009 e, sobretudo, em 2010, como efeito dos subsídios do governo federal às faixas mais baixas de renda, no programa Minha Casa, Minha Vida. O cálculo do déficit habitacional leva em conta as moradias inadequadas (favelas, cortiços, domicílios rústicos e improvisados) e a coabitação, que afetam, principalmente, a população com renda mensal de até três salários mínimos. Nessa faixa de renda se concentram 70% do déficit. Com base nos dados da Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar (Pnad), de 2008, a FGV constatou um crescimento constante do número de novas residências, nos últimos anos, de 1,244 milhão, em 2005, para 1,778 milhão, em 2008. De acordo com a FGV, em torno de 20% do déficit de moradias (1,139 milhão) concentra-se no Estado de São Paulo. Estima-se que o Estado poderá oferecer cerca de 100 mil habitações novas, neste biênio, por intermédio da Companhia de Habitação e Desenvolvimento Urbano (CDHU). “A meta do governo federal para dois anos é construir 400 mil unidades para a faixa de renda de até três salários mínimos. Apenas isso eliminaria cerca de 10% do déficit dessas faixas de renda, que mais merecem a atenção do governo”, observa o presidente do Sinduscon-SP, Sérgio Watanabe. O estudo da FGV confirma que é baixíssimo o déficit de habitações nas faixas de renda superiores a 5 salários mínimos por mês (cerca de 6% do déficit total). E, nestas faixas, há crédito com juros favorecidos para as faixas de até 10 salários mínimos, com recursos do FGTS. Para as faixas mais elevadas, as operações são financiadas com recursos das cadernetas de poupança, no Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). No biênio 2008/2009, com juros em queda, o SBPE deverá financiar 600 mil imóveis, em montante superior a R$ 60 bilhões.