Ao participar de um seminário promovido pelo jornal Correio Brasiliense, o Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que vê potencial para destravar 500 bilhões de reais em crédito com o uso de imóveis como garantia e com a prática da chamada hipoteca reversa. Segundo ele, “há hoje uma avenida” para o crescimento do crédito imobiliário, diante de um sistema que ainda é pouco alavancado e com dívidas que não são negociáveis. O executivo disse, no entanto, que a securitização dos financiamentos imobiliários não avança porque os contratos são baseados na Taxa Referencial (TR), índice que não é “hedgeável”. Campos Neto pontuou que o uso do IPCA como indexador do crédito imobiliário vai ao encontro da transformação que o governo quer promover. “Temos 500 bilhões (de reais) para extrair disso através de financiamentos ou de extração de dinheiro, valor que as pessoas têm nas próprias casas”, garantiu Campos Neto, citando também o tema da hipoteca reversa, onde o dono do imóvel recebe do banco uma espécie de salário até o fim da vida ao abrir mão da titularidade do bem em favor da instituição. “Quando as pessoas começam a usar imóvel para colateral, elas tendem a regularizar o imóvel, então você tem também arrecadação de impostos, tem todo um tema que é relevante em relação a isso”, disse ele, acrescentando que esses cerca de 500 bilhões de reais que podem ser injetados no mercado constituem um número “conservador”, mas que já quase dobraria a atual carteira de crédito imobiliário. O presidente do BC acredita que o processo de alienação fiduciária no Brasil não é exatamente um problema, com demora média de 5 a 6 meses para retomada do bem, prazo que não é tão distante do que é visto no restante do mundo, mas pontuou que há custos inerentes a operações imobiliárias ligados a cartórios e ao processo de avaliação dos imóveis “que precisamos simplificar”. O BC informou que está finalizando projeto que propõe novo desenho de hedge cambial para investidores de longo prazo. “Hoje se você é um investidor e quer fazer um hedge no longo prazo você tem um problema, porque se num ano o câmbio valoriza você paga imposto, se no outro desvaloriza você não recupera”, disse à revista Exame.
Publicado em 02/09/2019