A Companhia de Habitação Popular de Curitiba inscreveu um projeto em dois dos mais importantes concursos nacionais de habitação. O projeto de urbanização da vila Terra Santa, no Tatuquara, foi inscrito no Prêmio Selo de Mérito, promovido pela Associação Brasileira de Cohabs e Agentes Pú-blicos de Habitação (ABC), que acontece em agosto, e também no Programa Melhores Práticas em Gestão local, organizado pela Caixa Econômica, a ser realizado em dezembro. Em seu site, a Cohab-Curitiba conta que a vila Terra Santa é uma ocupação irregular iniciada em 1999 em área particular de 288 mil metros quadrados, com topografia acidentada e restrição ao uso habitacional. A área, cortada por linha de alta-tensão e via férrea, abriga duas nascentes de água e pequenos córregos. As famílias abriram espaço com o corte de árvores, destruindo totalmente o bosque existente. Muitas construíram suas casas junto aos córregos, nas partes mais baixas do terreno, em locais sujeitos a ala-gamentos. A infraestrutura local era inexistente, com redes clandestinas de água e energia elétrica, sem qualquer saneamento. A população apresentava todos os indicadores associados à vulnerabili-dade social: renda de, no máximo, dois salários mínimos; baixa escolaridade; ausência de qualifica-ção profissional; e trabalho precário. O projeto de urbanização foi desenvolvido em três frentes: o reassentamento de famílias que viviam em situação de risco e/ou insalubridade, a melhoria das con-dições de moradia para as famílias que estavam onde não havia restrições ao uso habitacional, com titulação dos lotes, e a recuperação ambiental de áreas degradadas. A área de onde saíram as famí-lias recebeu 2,5 km de ciclovia, dez quadras esportivas, três parquinhos, além da recomposição da vegetação. Foram recuperados 62 mil metros quadrados de área e plantadas 190 árvores de espécies nativas. “As obras da Prefeitura no local transformaram a realidade da população, que vivia de ma-neira insalubre e informal e passaram a morar em casas seguras e documentadas junto ao município. É um projeto amplo, que levou dez anos para ser realizado. Na gestão passada teve problemas e não foi finalizado, então coube a nós a continuidade da intervenção até a sua conclusão”, explica o pre-sidente da Cohab, José Lupion Neto. Segundo ele, o projeto contemplou cerca de quatro mil pessoas com construção de moradias, pavimentação de ruas, implantação de redes de água e esgoto, além do componente ambiental e da regularização fundiária.
Publicado em 01/06/2017