A Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança) lançou, em 22 de novembro, o IGMR (Índice Geral do Mercado Imobiliário Residencial). O indicador é calculado com base nos laudos de imóveis financiados pelos bancos e usa metodologias adotadas por especialistas de mercado com a finalidade de fornecer o valor mais próximo possível da realidade para a transação do imóvel. Entre as informações consideradas nas avaliações, estão localização, área do imóvel, características da vizinhança, qualidade do material utilizado no acabamento e número de cômodos.
O presidente da Abecip, Gilberto Duarte, afirmou que o índice de preços da entidade vai contribuir para o Banco Central e o Ministério da Fazenda formatarem as políticas de habitação do Brasil. O indicador, informou ele, será mensal, retroativo a janeiro de 2014 e conta com 1,5 milhão de negócios fechados nos últimos três anos. “O Índice Geral do Mercado Imobiliário – Residencial (IGMI-R ABECIP) trará os preços dos imóveis, mas também oferta e procura, escassez. Um terço da riqueza das pessoas está em imóveis”, resumiu Duarte.
O diretor de regulação do Banco Central, Otávio Damaso, ressaltou que o índice de preço é um dos indicadores mais importantes do setor imobiliário, uma vez que é utilizado pelo governo para definição das políticas públicas. Ele lembrou que a ideia do desenvolvimento do índice surgiu em 2010, quando Alexandre Tombini, ainda diretor do BC, lançou esse desafio em um evento do órgão regulador. Para Damaso, o setor imobiliário tem desafios estatísticos para continuar crescendo nos próximos anos. “Há um espaço grande a ser ocupado pelo crédito imobiliário. Não tenho dúvidas de que no novo ciclo de crédito, o financiamento imobiliário será um dos principais componentes”, afirmou. Ele disse, ainda, que o setor imobiliário precisa se acomodar em meio ao cenário de elevado nível de distratos de imóveis, pontuando que o desenvolvimento do crédito imobiliário está no radar do regulador, mas precisa transitar para um novo modelo que permita alcançar um novo patamar para o segmento no Brasil na próxima década. “É consenso, tanto do lado das instituições financeiras como do segmento, que o crédito imobiliário não alavancará um patamar muito maior diante da complexidade, travas, problemas de concentração e baixa atratividade de capital novo. As letras imobiliárias garantidas (LIGs) podem dar suporte ao mercado”, acrescentou Damaso, citando o mercado de capitais como uma alternativa para canalizar funding para o segmento.