Pela segunda vez neste ano, a Caixa Econômica Federal aumentou a taxa de juros do financiamento habitacional nos contratos enquadrados no Sistema Financeiro da Habitação (SFH), com recursos da poupança. O reajuste vale para os novos financiamentos, entrando em vigor no dia 13 de abril. A Caixa disse que a nova alta está em linha com a elevação da taxa básica de juros (Selic), em 12,75% ao ano.
A taxa de balcão, cobrada daqueles que não são clientes do banco, passou de 9,15% para 9,45%. Para quem mantém relacionamento com a Caixa e recebe seus salários pela instituição, a taxa subiu de 9% para 9,30% ao ano. Servidores públicos que têm conta no banco também pagarão mais caro, já que a taxa, nesse caso, foi de 8,70% ao ano para 9%. O SFH tem juros limitados a 12% ao ano.
Em nota, o banco afirmou que “mesmo com este ajuste, continuará oferecendo as melhores taxas do mercado para imóveis enquadrados no SFH”. Os juros dos financiamentos com recursos do FGTS e do Programa Minha Casa Minha Vida não foram reajustados. Mas há uma outra mudança significativa para os novos mutuários: a redução da cota máxima de financiamento, de 90% para 80% do valor do imóvel nos financiamentos no sistema de amortização constante (SAC) e 50% pela tabela Price.
A Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac) fez uma simulação com as novas taxas, para um empréstimo de R$ 500 mil, com prazo de pagamento de 30 anos. No caso da tarifa de balcão, a prestação de R$ 3.937,07 subiu para R$ 4.066,36 e, assim, o saldo ao final do contrato salta de R$ 1,417 milhão para R$ 1,463 milhão. Já para os clientes da Caixa, a prestação de R$ 3.809,19 pula para R$ 3.894,29, totalizando R$ 1,401 milhão, ante um saldo de R$ 1,371 milhão. O diretor executivo de Estudos e Pesquisas Econômicas da Anefac, Miguel de Oliveira, disse que a alta anunciada pela Caixa deverá ser seguida pelos demais bancos, movimento esse que já aconteceu no início do ano.
Outras mudanças atingem diretamente a classe média, que sonha com a casa própria. Para a compra de um imóvel usado, pelo Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI), avaliado em mais de R$ 750 mil, o mutuário terá que pagar 60% do valor à vista, o dobro dos 30% antes exigidos. No caso da compra pelo Sistema Financeiro da Habitação (SFH), para um imóvel usado também a partir de R$ 750 mil, a entrada terá que ser de 50%. Antes, era apenas 20%. As mudanças valerão para os contratos que seguem o Sistema de Amortização Constante (SAC), em que a prestação vai caindo ao longo do tempo. Em nota, a Caixa diz que seu foco para esse ano é o financiamento de imóvel novo, principalmente dentro do programa Minha Casa, Minha Vida. A instituição reforça que não há mudanças nos financiamentos com recursos do FGTS.