O Governo Federal irá anunciar me breve novas medidas para estimular os bancos a utilizarem outras fontes de financiamento da casa própria. A intenção é evitar que a poupança não tenha a capacidade de atender a toda demanda de crédito habitacional para os próximos anos. Uma destas medidas será o incentivo à securitização. O Governo quer estimular a venda de títulos vinculados a contratos imobiliários, operação muito comum em países com mercado imobiliário mais desenvolvido. No Brasil, enquanto a poupança dá conta de mais de 70% do financiamento habitacional, os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) – papéis emitidos na securitização – respondem por apenas 2% dos financiamentos. Pelas regras, os bancos são obrigados a aplicar 65% dos depósitos na poupança em habitação, mas quando securitizam um crédito, esse valor não é contabilizado no percentual obrigatório. Assim, se o banco optar pela securitização, corre o risco de ficar desenquadrado e não cumprir com a regra dos 65%. Por isso, o Governo pretende fixar um prazo para que a securitização seja contabilizada nos limites da caderneta. Se um banco securitizar R$ 10 bilhões, por exemplo, esse valor vai aparecer na exigibilidade da poupança gradualmente, num período que pode chegar a cinco anos. No primeiro, seriam apenas R$ 2 bilhões, no segundo mais R$ 2 bilhões e assim por diante. “Essa medida é importante para desenvolver o mercado imobiliário. O estoque de CRIs chega hoje a R$ 20 bilhões, o que equivale a cerca de 2% do funding (fonte de recursos) de habitação no Brasil. Na Colômbia, por exemplo, essa participação chega a 30%. Mas aos poucos esse quadro está mudando. Em 2005, o total de CRIs emitidos somou R$ 2 bilhões, mas este ano, devemos chegar a R$ 7 bilhões”, afirmou o presidente da Companhia Brasileira de Securitização (Cibrasec), Fernando Brasileiro.