Uma pesquisa intitulada “Brasil Sustentável: crescimento econômico e potencial de consumo”, realizada pela FGV Estudos, com a Ernst & Young, garante que em 2030 as despesas com habitação vão representar 26,7% do aumento do consumo dos brasileiros. Dentre todos os ramos analisados pela pesquisa, a habitação apresenta a maior alta: este percentual representa, diz o estudo, um total de R$ 505,8 bilhões em despesas a mais com habitação. Em relação a este montante que será gasto a mais em habitação, estima-se que o topo do ranking será ocupado pela população com renda familiar de R$ 8 mil a R$ 16 mil, representando 24%, ou despesas de R$ 121,51 bilhões por ano. Em segundo lugar, vêm as famílias cuja renda está entre R$ 16 mil e R$ 32 mil, com uma parcela de 21,8% e gastos de R$ 110,06 bilhões, seguidas por aquelas com rendimento entre R$ 4 mil e R$ 8 mil, cujas despesas anuais com habitação serão de R$ 105,2 bilhões, representando 20,8%. As demais classes, com rendas entre R$ 2 mil e R$ 4 mil, de mais de R$ 32 mil e entre R$ 1 mil e R$ 2 mil, representarão, respectivamente, 16,1%, 11% e 6,6% do total das despesas. A única classe que terá decréscimo nos gastos em 2030 é aquela com rendimento abaixo de R$ 1 mil. Sua participação será de menos 0,3%, representando menos R$ 1,63 bilhão. De acordo com o levantamento da FGV, “a principal razão para o expressivo crescimento será o aumento da demanda das classes média e média alta”. Segundo os responsáveis pela pesquisa, para calcular os gastos totais da habitação, levou-se em conta dois itens: “Habitação” e “Materiais de Construção”. Em 2007, cada um deles movimentou, respectivamente, R$ 323,4 bilhões e R$ 55,9 bilhões, representando 22,9% e 4% do total dos gastos dos consumidores registrado no ano. Segundo a pesquisa, “apesar dos números apresentados, o estudo aponta que o investimento em moradias ainda representa uma parcela pequena do PIB comparativamente ao de outros países, a despeito dos avanços recentes no setor. O Brasil se ressente da falta de uma política habitacional, sobretudo para a população de baixa renda”.